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Empregos de vento em popa na indústria naval

Terça-feira, 28 de Outubro de 2008 tamanho da fonte:diminuir fonteaumentar fonte

Conheça o caminho das pedras para se preparar para as vagas em um dos setores que mais cresce no Rio de Janeiro


A maré está soprando a favor da construção naval, após 20 anos à deriva. O faturamento, que em 2007 foi de US$ 2,4 bilhões, deve chegar a US$ 4 bilhões este ano. Nesta onda de otimismo, os empregos no setor vão de vento em popa. Em seis anos, o número de postos de trabalho se multiplicou por dez. Em 2001, eram minguados quatro mil empregados. Hoje são mais de 40 mil vagas diretas, número que deve chegar a 42 mil até o fim do ano. 

 

Para o presidente do Sindicato Nacional da Indústria  da Construção e Reparação Naval  e Offshore (Sinaval), Ariovaldo Rocha, a tendência é que o setor continue navegando a todo vapor. A previsão é que os estaleiros atinjam 60 mil empregos diretos até 2011, um crescimento de 50%. 

 

De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o Rio de Janeiro concentra quase 90% da capacidade construtiva no setor, com 19 estaleiros, mais de 70% deles estão na cidade de Niterói, que tem 20% da sua receita proveniente da indústria naval. O município é uma área estratégica,  pois está situado entre as bacias de Campos, no norte do Rio de Janeiro, e a de Santos, as duas maiores do Brasil na produção de petróleo e gás natural.


Números da Fundação Cide revelam a recente recuperação do setor naval, que tinha uma representação irrisória na indústria do Rio: de 0,3% em 1998, passou para 2,8% em 2004. No período, o setor obteve uma expansão de 50% no valor da produção e de 558% no número de empregos. Entre 2003 e 2007, o número de trabalhadores da indústria naval saltou 433%, de 7,5 mil para 40 mil. Entre 2006 e 2007, o total de empregos diretos dobrou. Hoje, de cada dez empregados diretamente pelo setor, sete estão em território (ou águas) fluminenses. São 28 mil funcionários, concentrados em Niterói, Angra dos Reis e no Rio de Janeiro.

Frota com selo nacional


Pelas contas do Sinaval, nos próximos oito anos, o Brasil deve construir 338 navios, em sua grande maioria, embarcações de apoio às plataformas da Petrobras, que revitalizou o mercado quando resolveu produzir parte de sua frota dentro do país. Em 2007, os estaleiros do Rio tinham em carteira 39 encomendas de embarcações para a Petrobras, PDVSA (empresa estatal venezuelana de petróleo) e Log-In Intermodal. Em maio deste ano, o presidente Lula anunciou a encomenda de novas 146 unidades de apoio à exploração e produção marítima de petróleo. 


O pedido garante pelo menos quatro anos de plena atividade aos estaleiros nacionais.  Afinal, as novas embarcações estão obrigadas a utilizar entre 70% e 80% de mão-de-obra e conteúdo nacional. Com isso, os pedidos somam um pacote com mais de dois mil itens para diferentes setores da economia. A previsão é de que, para atender a demanda (que inclui 23 navios petroleiros e 40 navios sondas), seja preciso admitir 25 mil trabalhadores na construção e 3,8 mil tripulantes para comandar a frota.

Sobram vagas, falta mão-de-obra


Com uma carteira de US$ 9,4 bilhões, os estaleiros fluminenses abrem as portas para trabalhadores, especialmente jovens recém-saídos de cursos profissionalizantes, mas esbarram na escassez de mão-de-obra qualificada para usar tecnologias cada vez mais sofisticadas e métodos de produção mais avançados. O crescimento da demanda é tanto que algumas profissões já estão em falta.

De acordo com o Sinaval, o déficit de empregados envolve desde engenheiros a profissionais de nível médio ou técnico, como soldadores, maçariqueiros e caldeireiros. A média de idade dos engenheiros é alta: está na casa de 50 anos, já que boa parte foi formada no fim da década de 70, quando o setor naval estava em alta. Encontrar profissionais especializados, como projetista e calculista, é um desafio. Junte-se a isso a falta de fluência em língua estrangeira, em especial o inglês.

Para o Sinaval, o problema é que o setor absorve a mesma mão-de-obra empregada na indústria petroquímica, que também está em expansão. Uma solução deverá vir do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp), do Governo Federal, que faz a capacitação gratuita dos trabalhadores por meio de seleção e já formou 2,7 mil pessoas no setor naval.

Além disso, alguns estaleiros estão sendo obrigados a investir na formação de mão-de-obra “dentro de casa”. “A qualificação é essencial. Praticamente todos os estaleiros têm seus próprios sistemas de treinamento e qualificação profissional”, afirma Ariovaldo Rocha, presidente do Sinaval. O Estaleiro Mauá, por exemplo, mantém, em parceria com o Sesi, o Programa de Qualificação Profissional de Soldadores. Mais antigo do país, com 162 anos de existência, o estaleiro fabricará metade das 26 embarcações de grande porte que vão renovar a frota da Transpetro.

Segundo ele, apesar de os estaleiros realizarem um esforço próprio de treinamento é sempre dada preferência para pessoas com máximo de formação escolar e técnica. Saber outros idiomas também é especialmente importante na área de projetos e compras, já que documentações técnicas geralmente são em inglês. “Na linha de montagem outro idioma é fundamental ao engenheiro e muitas vezes ao mestre”, destaca Rocha.

Para o Sinaval, nos cargos mais técnicos, apesar de o custo ser alto (R$ 500 a 900 mensais por pessoa), é possível fazer a capacitação nos estaleiros. O problema são os engenheiros, cuja formação demora cinco anos para ser concluída.  Além disso, esses profissionais são disputados pelo setor financeiro, que oferece remuneração elevada e trabalho menos pesado. O salário de um funcionário técnico está em torno de R$ 1,7 mil. Já para os cargos de engenheiro, a renda depende de negociação, já que é preciso atrair especialistas de outras empresas.

Solução para o déficit

Preocupado com a crescente demanda do setor e a possibilidade de criar um gargalo que obrigue a fabricação de embarcações fora do país, o Governo Federal criou há dois anos o Plano Setorial de Qualificação (Planseq) Naval em Niterói, que capacita a população para preencher as vagas do segmento.

A meta é qualificar cerca de quatro mil trabalhadores para o setor naval de Itaboraí, Nova Iguaçu, Niterói e Rio de Janeiro. Os trabalhadores estão sendo preparados para 22 funções, entre elas soldador, eletricista, caldeireiro, torneiro mecânico e supervisor. Três Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefet) do Rio de Janeiro são parceiros nos cursos de qualificação. São selecionados trabalhadores inscritos no Sistema Nacional de Empregos (Sine).

Onde se capacitar

  • Senai - Tel: 0800 231-231
  • FBTS (Fundação Brasileira de Tecnologia da Soldagem) - Tel: (21) 2242-2933
  • Faetec/ Cefet - No nível médio, a formação está a cargo de escolas técnicas como a Faetec e os Cefet. Faetec - Tel: (22) 2757-2251 / Cefet – tel: (21) 2569-3022
  • Universidades – Diversas unidades no Estado do Rio oferecem cursos voltados para o setor, como a graduação em Engenharia Naval da UFRJ Home: www.ufrj.br / www.uerj.br / www.faetec.rj.gov.br/uezo

Fonte: Jornal Energia & Negócios - Rosayne Macedo

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