Os recursos hídricos disponíveis para utilização pelo homem para abastecimento de água, irrigação, aproveitamento hidrelétrico, entre outros, são finitos e passam por um processo de recirculação permanente na natureza, graças ao ciclo hidrológico e aos condicionantes ocupacionais (antrópicos) das bacias hidrográficas em desenvolvimento sócio-econômico.
O grande reservatório de água doce natural existente na ecosfera corresponde, principalmente, aos lençóis aquíferos subterrâneos, que inclusive são os mais importantes alimentadores dos mananciais de água superficiais (rios, lagos e reservatórios artificialmente formados). O manejo hídrico inadequado das bacias hidrográficas realizado pelo homem pode e costuma alterar este processo normal de formação da água doce no ciclo hidrológico, que ocorre notadamente devido ao mecanismo natural de infiltração de águas das chuvas promovido pelas coberturas florísticas do ecossistema original equilibrado. Uma das maiores agressões que se pode fazer contra a formação de água doce no planeta é a ocupação e o uso desordenado do solo, que costumam promover um aumento na compactação e impermeabilização do solo, produzindo, como consequência, um aumento na magnitude das enchentes (pelo resultante incremento do escoamento superficial gerado) e, também, períodos de estiagens com escassez de água cada vez mais intensos (pela resu
ltante minimização dos mecanismos de infiltração de água no solo).
É necessário que a classe política, os governantes, os tomadores de decisão em geral, as empresas, as entidades de ensino, as associações de moradores e, enfim, toda a população se conscientize de que é urgente a adoção de uma política ambiental mais eficiente na gestão de nossos recursos hídricos, englobando soluções ecologicamente sustentáveis para os problemas ambientais, criação de incentivos que estimulem os donos de empreendimentos potencialmente impactantes a investirem mais na área ambiental (com atuações de Redução, Reciclagem e Reutilização de Resíduos, preservação e proteção ambiental, etc.), monitoramento, fiscalização e educação ambientais, etc.; esses investimentos são normalmente de muito menor monta do que as atuações corretivas, tendo uma grande importância na prevenção dos acidentes e crimes ecológicos.
O Crea-RJ tem se preocupado com as soluções sustentáveis para evitar o exaurimento e a degradação dos recursos naturais, especialmente a água, e os impactos ambientais em geral realizados pelo homem; para isso tem participado e discutido a temática ambiental em Conselhos de Meio Ambiente, Comitês de Bacias Hidrográficas, Comissão Estadual de Controle Ambiental (CECA), Audiências Públicas e de reuniões técnicas com vários órgãos, inclusive o Ministério Público, além de várias outras atuações. Consideramos que a água é um bem precioso, e a degradação das bacias hidrográficas e a falta de controle nos recursos hídricos pode prejudicar, inclusive, os Empreendimentos Humanos em geral, além de gerar riscos à saúde das populações. Por exemplo, para a viabilização ambiental da atual obra do COMPERJ (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), a água pode vir a ser um fator limitante para o Empreendimento, principalmente para atender ao aumento de demanda hídrica decorrente da explosão demográfica que ocorrerá na região devido ao Empreendimento, além dos problemas de saneamento dos esgotos e do lixo urbano que serão agravados nas Prefeituras locais. Desta forma, se não houver a consciência do ser humano de hoje na necessidade da sustentabilidade ambiental para os seus Empreendimentos, e na preservação da água e da natureza como um todo, nossos filhos e netos não poderão usufruir igualmente de uma vida harmônica e equilibrada com os recursos naturais ainda existentes, que ainda estão disponíveis a todos nós (até quando?), e dos quais os seres humanos necessitam para a sua própria sobrevivência no planeta em um futuro próximo imprevisível, dependendo das ações e decisões que tomemos daqui para frente.
Fonte: Adacto Benedicto Ottoni – Assessor de Meio Ambiente do Crea-RJ